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Pesquisa na Colômbia: O “gota a gota” cobra mais de 10 vezes a taxa de usura das pessoas e quase 22 vezes mais das empresas

"A taxa de usura precisa ser revisada, pois é o tipo de política pública criada com boas intenções, mas que acaba prejudicando significativamente aqueles a que pretende ajudar," disse David Vélez, fundador e CEO do Nubank

Bogotá, 23 de janeiro de 2025 – O acesso ao crédito formal é fundamental para melhorar as condições de vida das famílias e promover o crescimento econômico. Na Colômbia, o sistema financeiro e o mercado de crédito têm sofrido transformações com o surgimento de novos atores como as fintechs e o uso da tecnologia. No entanto, o país ainda enfrenta um enorme desafio: cerca de 65% dos colombianos não conseguem acessar crédito.

Nesse contexto, a Colombia Fintech, em colaboração com a ANIF, o Nu Colômbia e outros parceiros, realizou um estudo sobre mudanças na metodologia da taxa de usura e seu impacto na inclusão financeira, com foco no desenvolvimento econômico sustentável, que incluiu uma pesquisa sobre a Taxa de Endividamento Real no país. A pesquisa, que envolveu 1.221 famílias e 1.009 PMEs, oferece uma visão clara das dinâmicas de endividamento e os fatores que influenciam o acesso ao crédito formal e informal.

As recomendações de políticas públicas apresentadas neste estudo fazem parte da estratégia da Colombia Fintech, baseada na tríade da inclusão financeira apresentada durante o Latam Fintech Market 2024. Esta estratégia busca impulsionar a liberalização das taxas de juros, a democratização do acesso aos dados financeiros e a implementação de pagamentos em tempo real como pilares para estimular o crédito formal e reduzir a dependência de mecanismos informais.

Gabriel Santos, Presidente da Colombia Fintech, José Ignacio López, CEO da ANIF, e Marcela Torres, Gerente Geral do Nu Colombia, na coletiva de imprensa sobre o estudo

Muitas fintechs adotaram essa abordagem, incluindo o Nu, cuja proposta de serviços acessíveis, transparentes e centrados no consumidor tem sido fundamental para expandir a inclusão financeira na América Latina.

De acordo com David Vélez, fundador e CEO do Nubank, “Os números do estudo da ANIF mostram claramente a exclusão causada pela taxa de usura nas populações mais vulneráveis: quase 4 em cada 10 colombianos de baixa renda recorrem a credores informais pagando taxas de até 360%. A taxa de usura precisa ser revisada, pois é o tipo de política pública criada com boas intenções, mas que acaba prejudicando significativamente aqueles a que pretende ajudar. Neste caso, quase metade dos colombianos acaba pagando juros exorbitantes sem qualquer lei para protegê-los”.

Os resultados mostram uma realidade preocupante: o acesso ao crédito na Colômbia é profundamente desigual e inequitável. Embora os bancos sejam os credores mais comuns entre as pessoas (35,8%), à medida que o nível de renda diminui, aumenta a dependência de fontes de financiamento informais como o “gota a gota” e familiares e amigos. Com empresas, o cenário é semelhante: à medida que o tamanho da empresa diminui, aumenta a participação de mecanismos informais.

Como as famílias colombianas se endividam? O endividamento médio nas famílias colombianas é de $10.300.000, onde a influência de esquemas informais é alta. Desse total, os bancos financiam 34%, o que equivale a cerca de $3.500.000; familiares e amigos contribuem com 15,4%, cerca de $ 1.600.000; e o “gota a gota” representa uma preocupante 12%, ou seja, cerca de $1.300.000 por família.

Esta pesquisa também encontrou informações sobre o bem-estar financeiro dos colombianos. Cerca de 1 em cada 3 pessoas na Colômbia gasta mais de 30% de seu salário no pagamento de dívidas, colocando em risco sua estabilidade financeira. Em relação às empresas, descobriu-se que a grande maioria paga mais de 30% de sua renda mensal em dívidas pendentes, o que afeta seu potencial de crescimento e sustentabilidade. Com o objetivo de gerar informações sobre as dinâmicas reais de endividamento no país, este estudo estimou a Taxa de Endividamento Real do mercado informal. De acordo com os resultados, os “gota a gota” cobram uma taxa de juros de cerca de 380% das pessoas, mais de 10 vezes a taxa de usura e, das empresas, o “gota a gota” cobra taxas médias de 666,5%, quase 23 vezes o limite legal.

Neste estudo, a Colombia Fintech apresenta uma série de recomendações de políticas públicas para dinamizar o mercado de crédito no país. Em particular, sugere-se que é necessário estabelecer uma metodologia clara de cálculo do IBC que inclua a separação dos créditos de consumo e ordinário, para representar adequadamente as condições do mercado. De acordo com as estimativas, esta mudança geraria uma expansão de até 10 bilhões, ou 4,9%, no estoque total da carteira disponível de crédito ao consumo, ao elevar o teto regulamentar e permitir a concessão de créditos a perfis de maior risco. Em termos práticos, esta mudança corresponderia a um aumento em 8,9 milhões de desembolsos médios de consumo de baixo valor.

Além disso, propõe-se que todas as modalidades de crédito existentes no mercado possam ser concedidas através de cartões de crédito e outros sistemas tecnológicos. A regulamentação atual estabelece que apenas o crédito ao consumo pode ser concedido através de cartões de crédito, o que limita a inclusão financeira.

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